História


O percurso da Banda de Mira é feito de altos e baixos, e sem certezas absolutas da data da sua fundação, o facto é que em 1870 já existiam duas Bandas em Mira que tocavam a despique, ou seja, a Banda Velha e a Banda Nova de Mira. Este facto leva-nos a supor ter havido décadas antes uma só Banda, e talvez devido a algumas desavenças, desuniram-se dando origem às duas Bandas já referidas, segundo pesquisas efetuadas.

Com instrumental velho, sem rigor no fardamento, e com músicos já de uma certa idade, dá-se a primeira interrupção das Bandas que ocorre entre 1894 e 1912.

No entanto, um grupo formado por 27 músicos já idoso, das duas Bandas, junta-se para formar em 1912 a Banda Filarmónica de Mira, segundo fotografia existente. Posteriormente passa a designar-se Banda Filarmónica Ressurreição de Mira, pelo facto de ter voltado a executar musica no dia da Ressurreição (Páscoa).  A fusão das duas bandas tinha resultado em pleno, e esta batia-se com garbo e sabedoria, com algumas Bandas de renome, sendo que vários foram os êxitos somados nas décadas seguintes, sob a batuta de vários e conceituados maestros.

Como todas as suas congéneres, passa por várias dificuldades, tendo sempre alguns amigos que foram teimando em levar para a frente a sua querida Filarmónica.

Graças à garra, vontade e determinação de todos, em 1981 foi possível fazer-se a 1º gravação em fita magnética, ainda existente (embora um pouco destorcida) percorrendo a mesma alguns cantos do mundo, reforçando assim o elo entre os nossos emigrantes e a sua terra natal. Em 2004 grava o seu 1º CD com o título “ Em…..Cantos de Mira” com o Maestro Francisco Pereira e em 2008 o 2º CD com o título “Show Time” com o Maestro Jorge Paulo Margaça.

Ao longo de quase  um século e meio de existência, tem sido o orgulho das gentes gandaresas, por onde tem levado a sua musica, obtendo igualmente a sua internacionalização em Espanha e França e participado nos mais diversos eventos culturais e musicais, como por exemplo, a Expo 98, Encontros de Bandas organizados pela Federação de Filarmónicas do Distrito de Coimbra, pelo Inatel, Recepção a Ministros, Secretários de Estado, Presidentes da República, ações efetuadas pela Câmara Municipal de Mira, participação no Filarmonia ao Mais Alto Nível no Europarque, Casino da Figueira da Foz, Teatro Sá da Bandeira no Porto no espetáculo “15 anos de saudades de Amália Rodrigues” e grandes Festas/romarias do país como é o caso da Senhora da Agonia em Viana do Castelo. Nas comemorações do seu 144º Aniversário, a Filarmónica teve a honra de receber cartas de Sua alteza Dom Duarte de Bragança, do Exmo. Secretário Estado da Cultura Dr. Jorge Barreto Xavier e ainda do Exmo. Sr. Presidente da Republica Aníbal Cavaco a parabenizar e felicitar mais um ano de trabalho e de sucesso da Filarmónica em prol da cultura portuguesa e mirense.

Presentemente a aposta primordial da Filarmónica Ressurreição de Mira é na formação de músicos, tendo assim uma Escola de Música com 65 alunos com idades compreendidas entre os 3 e 16 anos e um quadro com 20 professores, garantindo por isso um futuro promissor. A Filarmónica Ressurreição de Mira, uma coletividade que está em constante desenvolvimento e crescimento, com novidades no tipo de repertório e com perspectivas didáticas e mais exigentes no ensino da música, conta já com mais de metade dos seus alunos e músicos a frequentarem o ensino oficial nos Conservatórios de Música de Aveiro/Coimbra, Academia de Música de Cantanhede, Escola de Artes da Bairrada, JOBRA, Universidade de Aveiro, etc. A sua Escola de Música é assim a base de formação dos seus músicos.

Ao longo dos últimos anos, a Filarmónica de Mira tem vindo a organizar vários cursos, conferências, workshops e masterclasses com o objetivo de formar cada vez mais e melhor os seus músicos, desenvolver e promover o trabalho da Filarmónica e de se afirmar no panorama nacional e ser pioneira no que toca à organização de eventos com os melhores pedagogos, músicos e maestros portugueses e estrangeiros. Destacam-se assim o I e II Estágio de Banda orientado pelo Maestro espanhol Jose Ignácio Petit e o I Curso de Direção orientado pelo Professor António Saiote.

Além da Banda Filarmónica, Coro Infantil e Orquestra Infantil, conta também com o Grupo de Música Sacra, que alegra as celebrações com cânticos que refletem a juventude dos seus executantes e do seu maestro.

Atualmente a Banda é composta por 60 Filarmónicos com idades compreendidas entre os 7 e os 41 anos, cuja média etária é de 15 anos.